Jornalista-exemplo para muitos profissionais e estudantes, Caco Barcellos esbanjou simpatia e conhecimento neste último dia da Feira de Gestão. Além de jornalista há mais de 20 anos, Caco é também escritor. Seu último livro, “Abusado”, foi citado na palestra sobre sociedade organizada e violência. Acompanhe:
- Barcellos começou a palestra com a recente notícia de que a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para abrigar as Olimpíadas
- segundo ele, no Rio de Janeiro, a violência está fora de controle
- “infelizmente o crime contra o patrimônio é visto pelo brasileiro como algo mais grave do que o crime contra a pessoa”
- “só ficamos sabendo da violência quando um ‘bacana’ é atingido. Aí fazem matéria, contam a história”
- a nação mais intolerante é a China, com muitas mortes violentas registradas
- porém, comparativamente, o Bope (Tropa de Elite), mata muito mais
- atualmente, a guerra que mais mata é a guerra no Iraque
- citou o jornalista Gay Talese: “o grupo de mídia americana que foi contra a guerra do Vietnã estava em sintonia com a sociedade americana. Com a evolução da categoria dos jornalistas, este grupo acabou ficando arrogante, mais próximo da classe dominante. Foi isso o que aconteceu com a cobertura da guerra no Iraque”
- não pode haver um “repórter cowboy”, que precisa de segurança armado. Repórter tem que ser neutro, isento, não ter medo de ninguém
- como imprensa, tem que cuidar com o preconceito de classe. Ao tratar o tema, tem que ouvir sempre os dois lados, não elitizar. “Tem que traduzir a realidade da maioria, é um compromisso”
- no programa Profissão Repórter (Globo), teve um desafio jornalístico: mostrar para a emissora que o projeto iria dar certo
- mais de 20 mil candidatos para 30 vagas. Depois de selecionados, ainda passam por um ano de experiência na emissora
- tiveram que provar que mereciam o horário nobre que estavam pegando de gente com mais experiência
- a equipe do Profissão vai atrás de assuntos que interessam às pessoas
- tem que fazer uma cobertura equitativa, sem privilegiar nenhuma categoria
- o Brasil tem um lado Etiópia e um lado Suíça (classes diferenciadas)
- seu livro, intitulado “Abusado”, levou 7 anos para ficar pronto. Caco conversou com 200 traficantes do morro Dona Marta para relatar a situação entre traficantes e comunidade
- citou o grupo “Médicos sem Fronteiras” que realiza trabalho no Rio de Janeiro e atende regiões onde acontecem “tragédias humanitárias”

