Por Ronaldo Duschenes
A tecnologia invadiu de tal forma nossas vidas que não sabemos ou queremos mais limitar sua extensão. Usamos os recursos à exaustão em nossas casas, trabalho, lazer, enfim, quase o tempo todo em nosso cotidiano. Assim, fica difícil separar o homem da máquina, o que é essência do que é supérfluo. Mas estamos ainda aprendendo a conviver com essa estonteante velocidade de mudanças.
Sou muito otimista, tenho a certeza de que este convívio está trazendo resultados importantes em todas as áreas, mesmo que às vezes com custos muito pesados quando os desequilíbrios sociais se exacerbam e as diferenças culturais se transformam em incompreensão e intolerância.
Mas voltando à nossa área, que é como as transformações tecnológicas interferem na forma de projetar os ambientes de trabalho, vemos que as empresas mais “antenadas” têm aproveitado as oportunidades do desenvolvimento da qualidade das comunicações virtuais para modificar suas estruturas para melhor.
A produtividade do trabalho aumenta de forma quase exponencial quanto mais colaborativo ele passa a ser. No passado recente as estruturas hierárquicas eram muito rígidas. Os nomes dos cargos dos gestores, em inglês, ainda mostram isso: CEO - Chief Executive Officer, que vem do padrão da estrutura militar tradicional. Os mentores sempre eram os mais velhos ou ao menos os de cargo “superior”. Hoje, o surgimento de um enorme número de softwares complexos fez com que o mentoring passasse a acontecer também de baixo para cima, do mais jovem para o mais velho.
E o mobiliário e os espaços devem acompanhar essas novas tendências. O “espaço colaborativo” passa a ser a nova forma de projetar. Espaços que permitam convivência mais livre e harmoniosa, espaços que predisponham a concentração e espaços que estimulem a colaboração vão surgindo em muitas empresas.


Cuidamos de conhecer o que as pessoas precisam, sentem, o que desejam para ter mais qualidade de vida. Para isso, levamos em consideração questões como ergonomia, antropometria e usabilidade, estudamos como o corpo e a mente interagem com o meio, e buscamos sempre a melhor forma. Esta é a linha mestra dos nossos pensamentos enquanto designers. Sabendo que isso é essencial, podemos explorar melhor o que a tecnologia nos oferece.
Projetamos hoje móveis com tecnologia embarcada para facilitar a conectividade, móveis interligados para facilitar a interatividade. Os acessos às conexões de lógica e eletricidade têm de estar à mão. Os cabos já integrados às plataformas. As divisórias poderão ser frontais e/ou laterais, mas baixas. O espaço útil, confortável e completo.
E, quebrando as várias barreiras hierárquicas, o prazer de viver nessa nova forma de trabalhar torna-se realidade.
Ronaldo Duschenes é designer, arquiteto e empresário, atuando como presidente da Flexiv – Escritórios de Sucesso, marca de móveis para escritório. Também participa de entidades do setor empresarial como SIMOV, FIEP-PR, Unindus, IBQP e IAB-PR.

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